Nunca se desculpe pelo que você escreve

Semana passada li uma frase atribuída a J. K. Rowling, autora de Harry Potter que me pegou por dias.

Aparetemente ela ficou chateada com algumas críticas que estava recebendo após finalizar a série do menino mago que nós tanto adoramos e mudar completamente sua linha de criação para um trabalho mais realista.

Ela disse: “Eu sou uma escritora, e eu vou escrever o que eu quiser escrever.”

Fiquei com essa sentença na cabeça tentando descobir porque gostei tanto de como soou.

Finalmente percebi que ela é a resposta para alguns questionamentos que eu fazia comigo mesma.

Eu sou uma escritora de romances eróticos e já notei que quando você fala sobre isso as pessoas tendem a julgar seu trabalho sem sequer terem lido uma linha dele.

Ah, certo. Romances eróticos.”

Sim, romances eróticos.

Livros que me custaram meses de pesquisas, ausências em programas familiares, dias isolada tentando elaborar um fim para minhas histórias.

E nem estou falando sobre a complexidade de ser uma self-publisher.

Quando você decide publicar um livro por si mesma, no meu caso no Kindle Direct Publishing , você é, inicialmente editor, revisor, diagramador gráfico, designer gráfico – no meu caso acabei decidindo contratar uma profissional atrávés do Fiverr – enfim, todas as responsabilidades estão nas suas mãos.

Ah, e não vamos esquecer da divulgação, que para mim particularmente, não foi uma tarefa fácil pois tive que começar um Twitter, outro Instagram, um grupo no Facebook, um author page no site da Amazon, etc.

Somente quem está em campo sabe exatamente a dificuldade que é se lançar como autor sem um editora por trás. Você depende basicamente de fazer seu trabalho satisfatoriamente e da divulgação de seus leitores através de reviews ou entre amigos.

Dito isso, estou ciente de que nem todas as pessoas gostarão do que escrevo, seja por conta do meu estilo, seja porque não estão bem com literatura erótica, mas isso não dá o direito a ninguém de desmerecer meu trabalho ou de outros escritores do mesmo segmento.

Quando comecei a escrever uma das perguntas que rondavam minha mente era: o que meus amigos e familiares pensarão ao lerem meus livros?

Com o tempo e a resposta dos seus leitores, você acaba percebendo que não tem importância.

Primeiro porque as pessoas – e aqui estou falando inclusive nos nossos entes queridos – o julgarão de qualquer modo, não importa o que você faça com a sua vida – faz parte da natureza humana criticar. Segundo porque eu me recuso a pedir desculpas pela minha arte.

Meus personagens são meus filhos, meus bebês e não me envergonho deles.

Quando estou escrevendo eles me fazem rir e chorar e às vezes, como aconteceu no final de Cativo, o segundo livro da minha série Corações Intensos, me causam uma ressaca emocional ao terminar a história.

O que eu quero deixar como mensagem é: continue escrevendo, continue acreditando em você mesmo.

Ser escritor não é uma opção. Você não escolhe ser um contador de histórias, elas simplesmente invadem sua mente sem pedir licença.